segunda-feira, 13 de maio de 2013

CARTA AO BINGÔ - 4 ANOS DA APA DOS MORROS GARAPENSES

Brasília, 19 de Março de 2013
Meu amigo Bingô


         Voltando ao meio-dia de hoje, dentro de um ônibus, para a Chácara que moro na Capital Federal, onde tive que sair para depositar um dinheiro para a compra dos foguetes do aniversário de 4 anos da APA dos Morros Garapenses, pensava no momento, com destaque em em você, dentre todos os demais amigos e militantes que construíram o sonho da nossa Área de Proteção Ambiental. Em você meu coração mais falava, pois os foguetes da alvorada que iniciam as comemorações do aniversário da nossa APA são sua cara de militante ambiental em formação.
        Amanhã, meu fiel amigo Bingó, a APA dos Morros Garapenses completará 4 anos de existência, e pela primeira vez, não estarei na Unidade para viver toda a alegria deste dia. Assim, meus olhos não verão o bolo; não leram as faixas de congratulações; não contemplaram os morros vistos da cidade, nem a cidade vista de cima dos morros. Eles também não verão os ambientalistas pioneiros, amigos e bons companheiros na luta pela preservação das vidas em nossa região; e as crianças envolvidas nas comemorações, meus olhos não verão amanhã.
       Os discursos, risos e falas, todos os sons de alegria de amanhã, também os meus ouvidos estarão privados de ouvir, juntamente com o barulho vitorioso dos foguetes, soltos dos topos dos morros, rumando para a cidade, ruas e casas, onde, ainda longe da pequena polis, estourarão, sem machucar nada e ninguém, e não trazendo nenhum prejuízo a vida, apenas consagrando a realização do nosso sonho verde, que é a vitória dos Morros Garapenses. Outrora vítimas de maus tratos e violações; vítimas até de foguetes levianos, soltos em suas matas com folhas secas no chão, criando fogo e destruindo tudo. Essas e demais ações de ausência de carinho pelos belos morros e suas matas, que não tinham valor nenhum para muitos, senão para os poetas e ambientalistas, não existe mais; pois foram estes, os poetas e os ambientalistas, que em amor mudaram a história dos Morros; criaram uma nova história, onde agora superabunda a vida preservada de todos os seres vivos do torrão natal: as plantas e bichos, lagos, açudes e do   nosso rio, que estão sendo reconstruídas e preservadas.
Estão sendo amadas, e tornam-se exemplo para o mundo de respeito e de amizade pelo meio ambiente natural.
       Então, amigo Bingó, amanhã comemore o sonho/realidade, e pela quarta vez solte os foguetes de cima dos Morros rumo a cidade. Continue essa tradição de jubilo pela preservação da vida.
Escrevo-te, digo de novo: suba os Morros com os voluntários, faça o barulho de vitória
 com os foguetes. Comemorem!!! Celebrem a vitória da sustentabilidade garapense. E vivam essa história amanhã; vivam essa história sempre, pois os cuidados e a luta pela preservação de todas as vidas neste recanto do planeta dependerá ainda de nós, do insistir permanente da construção plena desse sonho.

Do amigo,
Francisco Carlos Machado

UM AMIGO NUMA AGÊNCIA DOS CORREIOS E A VENDEDORA DE LEGUMES DE COELHO NETO NO DISTRITO FEDERAL

 


  Durante a manhã de hoje, sexta feira, 10 de Maio, nestes quatro meses morando no Distrito Federal, experimentei mais uma vez as provas das Providências do Senhor meu DEUS, cuidando de mim. E como ele cuida realmente, pois me ama sem pôr nenhuma condição.
Assim, indo numa agência dos correios na W3Sul, ASA Sul do Plano Piloto, deixar a correspondência de uma missionária amiga, que com a perna quebrada há um mês não poderia fazer, encontrei um amigo brasilienses,   o LUCIANO (ele foi motorista particular de Fernando Collo), que conheci em junho do ano passado, convivendo com o mesmo durante 20 dias em um curso em Goiânia. Fazia 10 meses que não via o Luciano, onde neste interim por nenhum meio nos comuniquemos. Creio muito ser de Deus envia esse amigo no momento em que estava na Agência dos Correios, pois sendo ele da Igreja Metodista, diante de um trabalho em planejamento entre as Igrejas do Distrito Federal, precisava falar em grupos de sua denominação. E o mais bonito  foi à alegria sentida, o recomeçar de nossa amizade cristã, mesmo sendo ele mais velho.
A OUTRA prova das Providências Divinas em minha vida foi um outro ENCONTRO logo depois, cerca de uma hora de encontrar Luciano, mas que se deu na cidade do Guará.
Estava em uma loja e Oficina de Bicicleta, pesquisando preços de pedal para a minha bike, quando ao deixar o estabelecimento, circundei uma pracinha bem arborizada nas redondezas e vi uma banca ao ar livre vendendo bonitos legumes: cenouras, tomates, alfaces, couve, cebolinhas, etc. Encostei a bicicleta, e logo puis a indagar o valor dos produtos. A pessoa, uma mulher de altura mediana, gorda elegante, passou responder. Uma couve flor diferente chamou minha atenção, e perguntei ser couve mesmo. Ela respondeu que sim. Digo-lhe que na minha região não lembrava ter deles.
- Qual sua região, pergunta-me a vendedora?
- Leste do Maranhão, respondo.
- Mas no Maranhão as pessoas não gostam de legumes, diz a vendedora, afirmando com muita propriedade.
- És do Maranhão?
- Sou me diz ela.
- Qual cidade?
- Coelho Neto, responde.
Quando a vendedora falou Coelho Neto, docemente me emocionei.
E indaguei novamente com a emoção na garganta:
- Conhece a cidade de Duque Bacelar?
-Sim, conheço, diz. Como Afonso Cunha, Buriti.
- Oh, minha amiga, falei, sou da região. De Duque Bacelar. É um prazer encontrá-la aqui. É muito bom longe encontrar alguém da nossa região. Eu vou muito a Coelho. Amo Coelho Neto.
E com um sorriso largo na face, sai de cima da bike, fui onde Raimunda Gomes, que estava atrás de sua banca de legumes, deu-lhe um carinhoso abraço.
LONGE, a saudade é mais forte, dói mais intensamente. E encontrar inesperadamente alguém de lugares comuns, da terrinha, se  sente forte emoção.
 E cheio de emoção, eu que tinha inicialmente decidido comprar só alfaces de Raimunda Gomes, comprei mais coisas, cenouras, cebolinha ( que meses não comia) e alegas. E também afirmei um compromisso com a amiga vendedora de Coelho Neto de comprar somente meus legumes em sua banca, onde vende de terça a sexta.
Diz um famoso Salmo que “ o Senhor nos faz verdejar em verdes pastos e nos guia mansamente a águas tranquilas”. SIM, CREIO SEM NENHUMA DÚVIDA, que Deus, no qual eu sirvo é quem cuida de mim.
Ele quis me dar à alegria de Encontrar Raimunda Gomes, coelhonetense, moradora há 25 anos no Distrito Federal, por algumas razões obvias,  que diz respeito a contratá-la para cozinhar e comprar seus frescos legumes no primeiro Encontro dos Garapenses que estamos organizando em Brasília.
E sendo a mesma uma garapense, pois Raimunda mesmo ainda não sabendo deverá logo saber que sua Coelho Neto é hoje uma Área de Proteção Ambiental orgulhosamente chamada GARAPENSE, assim todos nós somos garapenses.
Por fim, em Ação de Graça,  Deus seja louvado por esses dois encontros nesta manhã de sexta feira com o amigo Luciano e a coelhonetense Raimunda Gomes.

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

TEXTO SOBRE A APA DOS MORROS GARAPENSES NA IMPRENSA DO PIAUÍ

Alex Motta, morador de Buriti de Inácia Vaz, que não é bordador, numa manhã de 2011, bordou comentários a respeito da criação da Área de Proteção Ambiental Morros Garapenses: “O governo do estado do Maranhão cria a APA Morros Garapenses que protege os terrenos menos elevados, mas, por outro lado, entrega as Chapadas de Buriti para os gaúchos”.
A APA Morros Garapenses foi criada em 2008 pelo então governador Jackson Lago como forma de conservar as faixas de transição entre Cerrado e a mata dos cocais no Leste maranhense. A sua área de abrangência abarca 234 mil hectares dos municípios de Buriti, Duque Bacelar e Coelho Neto. O processo de consolidação dessa unidade de conservação fornece uma informação relevante: ela é a única unidade de conservação estadual criada a partir de uma mobilização da comunidade local. Pelo visto, tomando por base a declaração do Alex Motta, essa mobilização não se deu de maneira uniforme nos três municípios e nas comunidades desses municípios do Baixo Parnaiba maranhense.
Nenhuma das considerações descerradas pelo governo do Maranhão no decreto de 31 de dezembro 2008 acena para a agricultura familiar e para o extrativismo. Uma consideração explicita o item educação ambiental e turismo ecológico, aventura e cientifico. Outra discorre sobre o reflorestamento com espécies frutíferas. Sinceramente, no que consta, as populações tradicionais do Baixo Parnaiba maranhense desapareceram para a secretaria de meio ambiente do Maranhão.
Citar-se-ia a agricultura familiar e o extrativismo de frutas do Cerrado por comporem a biodiversidade e por guarnecerem essa biodiversidade. Nomeia-se esse intrincar de agrobiodiversidade. Até onde se sabe, o português do agronegócio é ralo. Os anos de soja, eucalipto e cana não adicionaram palavra original no cotidiano brasileiro. A riqueza do agronegócio foi devolvida à população do Baixo Parnaiba maranhense na forma de empobrecimento do linguajar, do conhecimento tradicional, da economia local e do meio ambiente.
Alguns defendem um pacto de não-agressão entre o agronegócio e segmentos da agricultura familiar para que o desenvolvimento socioeconômico se dissemine. Que o desenvolvimento não fique atrelado a um só setor, é o que dizem. Em certa medida, os órgãos ambientais aderiram a essa idéia faz tempo. A criação de unidades de conservação no Brasil obedece a cartilha do agronegócio, ou seja, onde o agronegócio avança se detém processos de criação de parques e resex. Com respeito a APA Morros Garapenses, os próprios funcionários da SEMA admitem que a categoria APA é permissiva ainda mais em uma região onde se acentuam os interesses do grupo João Santos, plantador de cana e bambu, e dos sojicultores. Um pacto de não agressão interessa mais ao agronegócio do que a agricultura familiar. O Baixo Parnaiba maranhense experimenta e experimentou versões dessa proposta tanto no caso da soja como no caso do eucalipto. Os sojicultores fornecem sementes de feijão para comunidades próximas aos plantios de soja e a Suzano Papel e Celulose disponibiliza maquinário para comunidades próximas aos seus plantios de eucalipto.
O Estado brasileiro é condescendente com o agronegócio e descarta completamente a agricultura familiar e o extrativismo. Bem que os governos poderiam criar uma politica de descarte de agricultores familiares e extrativistas na zona urbana das cidades assim como existe uma politica de descarte de embalagens de agrotóxicos.
Descartar tudo tem sido uma prática do Estado brasileiro. As licenças de desmatamento e as outorgas autorizadas pela SEMA obscurecem a questão dos recursos hídricos no Baixo Parnaiba maranhense. As considerações para a criação da APA Morros Garapenses se desencontram dessa questão tão séria numa região sujeita a desertificação como se presencia em áreas mexidas para os plantios de soja nas bacias dos rios Buriti e Preto. Conhecedora da situação por que passa o Baixo Parnaiba a SEMA deveria restringir ao máximo o uso de determinadas áreas para os plantios de soja e eucalipto. Vê-se o contrário. Desde a criação da APA os desmatamentos em Buriti nunca cessaram sem respeitar espécies protegidas por lei como o pequizeiro e espécies importantes para o extrativismo como o bacuri.
Na região da APA Morros Garapenses, o Fórum Carajás articulado com a Associação dos Amigos de Buriti e com a comunidade de Carrancas carregou e carrega uma variedade de projetos e de atividades com a intenção de resguardar o que sobrou de áreas de Chapada nas nascentes do rio Preto, afluente do rio Munim. Uma das atividades, que contou com o financiamento do Casa(Centro de Apoio Socioambiental), é o manejo das florestas de bacuri na propriedade do Vicente, o gigante gentil do povoado Carrancas. Ele é um sujeito bem alto que, em determinado momento, viu-se pressionado a vender sua posse para um plantador de soja. Decidiu não vender. Como não vendeu, o sojicultor se retirou anunciando que Vicente sofreria com o despejo de agrotóxicos. Provavelmente, caso Vicente vendesse, ele se arrependeria mais tarde. Outros indivíduos se arrependeram. Comunidades inteiras se arrependeram amargamente, pois venderam suas áreas de Chapada por um dinheiro que durou pouco. Um dinheiro que mal deu para comprar uma moto para cada individuo.
O Vicente e o seu Onésio, da comunidade de Carrancas, e as comunidades de Brejinho e de Belém chegaram longe sem recuarem um milímetro sequer.
Fonte: * Mayron Régis, Articulista do EcoDebate, é Jornalista e Assessor do Fórum Carajás e atua no Programa Territórios Livres do Baixo Parnaíba (Fórum Carajás, SMDH, CCN e FDBPM).Postado no Blog Piauí Sempre Verde.

segunda-feira, 25 de junho de 2012

UM TESTEMUNHO EM DEFESA DE NOSSA NATUREZA *

                                                                         Quando chegamos a  Duque Bacelar,
                                                                                   os  Morros nos recebem com palmas pelo ar ”**  
  
               
                                                                        Quando criança, nas filas cívicas da Escola Paulo Ramos, ao cantar nosso hino municipal, os versos que falam dos Morros, sempre me tocaram. Em pé, em forma na fila, imaginava a beleza das palmeiras batendo palmas ao receber um visitante ou o filho da terra que voltava. No mesmo período, nesses saudosos tempos infantis, fora dos muros do Pulo Ramos, vivia nas trilha dos morros à procura de chichas, jataís, tucuns, jatobás, mutas e de todos os demais frutinhos silvestres que se encontravam. Meus amigos e eu caçamos passarinhos, e em toda temporada de caça da meninice, consegui matar somente um,  o que me fez no correr do tempo pensar dolorosamente em meu maldoso ato. Os passeios mais longos  nos levavam às margens das lagoas e igarapés, onde podíamos ver e ouvir o canto dos socós, das garças, jaças-anãs, juritis,  nambus e demais aves que formam nossa fauna alada. Conheci por nome, as vezes vendo bem perto os animais maiores, os peixes, e aprendi nadar nas águas do igarapé e do açude. Cresci como menino de interior em constante contato com o Meio Ambiente.       
                Ao sair do Paulo Ramos, alfabetizado e apaixonado por livros, devorava todos os que falavam dos animais, pássaros e plantas. Já começando pensar no mundo e na realidade, vi que a em todo o planeta a natureza era covardemente destruída. E em Duque não era diferente. Sendo prático, organizei logo um revistinha e um grupo: “Amigos da Natureza”. O ano era 1992. O Brasil sediava no Rio de Janeiro o famoso Encontro Mundial Eco 92. Entendi tudo pela televisão. Então adolescente, desejava ser biólogo. Neste período minhas caminhadas e explorações pelos morros, rios, lagoas e igarapés, agora eram totalmente solitárias e científicas. Passava horas dentro do mato coletando folhas, frutos e mudas de plantas para estudar e cultivar. Coletava búzios, conchas e pedras ornamentais encontradas, fazendo um levantamento dos animais viventes em nossos ecossistemas. Passei também a repugnar os carros de madeira e o Grupo João Santos.
                  Um dia eu tive que deixar todas essas vivências e ir embora da minha terra para estudar na capital. E longe, com a dor da saudade latejando no peito, escrevi para minha mãe: “Sinto falta de caminhar descalço pelos morros; sinto falta dos banhos no rio; sinto falta de ar puro”. Não resistindo mais a saudade, voltei. Aconteceu, após minha volta, algo extraordinário comigo: a explosão da poesia em minha alma. ECLODIA  um poeta, nascendo em harmonia e irmandade com todo o meio ambiente. Assim, passei  amar, admirar e sentir a natureza de maneira mais intensa. Agora, o barulho do vento nos galhos das árvores; o nascer do sol às margens do rio Parnaíba; o formato bonito e verde dos morros e o cantar dos passarinhos tinham um sentir e gostosura demasiadamente especial. Passava horas e horas “ namorando ” com os olhos toda a beleza existente e vista de cima dos morros, no contemplar de cada detalhe. O famoso poema “O Sentido da Vida ”, é gerado deste relacionamento.                                                             
                     A partir dessa experiência, uma revelação pessoal de 1995, que comecei a sonhar pela “ reserva e proteção total dos morros garapenses ”. O espaço verde da comunidade protegido, respeitado e guardado pelo homem. Um lugar em que as pessoas da cidade, principalmente as crianças, pudessem se envolver com o ambiente natural de maneira amigável e harmoniosa, com respeito, como Deus, o Criador de toda vida, espera de nós.
                       Os morros, o rio Parnaíba, as lagoas, o açude e o igarapé são bens de todos, não podendo ser mais usados de forma destruidora e egoísta. Não devem ser mais devastados, poluídos e queimados barbaramente. Destruir por queimadas os morros é tornar em cinzas partes da minha história; acabando com as boas lembranças de criança da minha geração e de outras que poderão se formar nos contatos com essa natureza, amando esta terra e esta paisagem. É renegar a todos nós um meio ambiente saudável, preservado. Portanto, essas queimadas definitivamente devem findar nos morros. Existem muitos lugares para se fazer esta atrasada cultura de roça de toco e fogo.
                          Assim, todos devem sonhar e buscar a reserva para bem de nossas vidas. O mundo está buscando viver sustentabilidade e a ecologia preservada. E nós fazemos parte do mundo. Somos inteligentes, racionais, pessoas de bem. Se não fizermos isso  tornarem0-nos desumanos, inimigos das obras do Criador e dos seres viventes que dependem de nós. Se não preservamos nossa natureza, dentre as muitas conseqüências negativas, culturalmente, em breve, teremos que riscar os versos do hino da cidade, pois ao chegarmos a Duque Bacelar, os Morros não mais nos encontrão com palmas pelo ar; nem as palmeiras jogarão no chão os coquinhos para as mulheres quebrar, e o poeta que filosofa em cima do monte no “ O Sentido da Vida”, não encontrará mais vida ao derredor dele, pois toda vida existente foi devastada e morta pelo fogo e o interesse egoísta de homens sem amor e respeito a nossa natureza.

                                                                                          Francisco Carlos  Machado

                                                            

quarta-feira, 25 de maio de 2011

CONVITE PARA I ENCONTRO LITERÁRIO APA DOS MORROS GARAPENSES

I ENCONTRO LITERÁRIO  
APA DOS MORROS GARAPENSES

   O CONAMG - Conselho da APA DOS MORROS GARAPENSES, juntamente com a ABAMA, convidam você para o Encontro Literário da APA, que acontecerá dia 11 de Junho de 2011, em Coelho Neto, no Auditório Municipal- Av. Cordeiro de Faria/ Centro.
         Teremos a presença dos escritores, poetas e artistas da região, e diversos de São Luis e do Piauí.
          Vamos lá. Todos juntos pela educação, cultura e o Meio Ambiente Natural da APA DOS MORROS GARAPENSES.

terça-feira, 17 de maio de 2011

O MOVIMENTO LITERÁRIO NA APA DOS MORROS GARAPENSES - UM RELATO DA NOVA REALIDADE QUE COMEÇOU

                                                   “Sonho que se sonha em conjunto é a realidade que começa”

                          Sem dúvida o movimento literário na APA dos Morros Garapenses tornou-se uma realidade. O mesmo já é sentido nas personalidades que o vivem e se engajam na sua construção.                                     
                          Leiam este relato:
                          -No dia 6 de Maio, por volta das 10: 30 da noite, o  Corsa classic dirigido pelo esportista Alan Borges, filho do poeta Zé Borges furou o pneu na BR 135, distante uns 7 km da cidade de Santa Rita. Aliandro Borges, irmão do motorista e eu, logo sairmos na escuridão buscando pedras que servissem para sustentar o macaco no levantar o veículo no encostamento úmido. Depois do esforço preciso, o pneu furado é substituído e a viagem continua até Buriti, onde na manhã do dia 7, Aliandro participaria de uma Audiência sobre o piso salarial dos professores municipais, colhendo notícias para seu Blog Correio Buritiense, e eu estaria em Duque Bacelar preparando e recepcionando poetas, escritores, intelectuais, artistas e ambientalistas  da APA num encontro literário. Na tarde desse mesmo dia, em São Luis, estive com Aliandro Borges na sede do Jornal Pequeno em reunião com os poetas Alberico Cordeiro, Antonio Ailton e Bioqui Mesito, discutindo e pedindo apoio moral e intelectual  para o Movimento Artístico Literário na região dos Morros Garapenses, compreendendo que o sucesso do mesmo, intrinsecamente, se dará pelo apoio e diálogos com as personalidades literárias da capital e das demais regiões do Estado.Entretanto, discutíamos também que tal Movimento e o alcançar de seus objetivos só serão possíveis com a unidade e o trabalho coletivo dos talentos artísticos e literários locais. Desde modo, quando recebi o Carlos Machado, o mais famoso jornalista da região, vindo de Coelho Neto com sua equipe de TV para registrar o evento, onde  vendo o mesmo encontrar no recinto do Clube Pingo D’água o poeta popular  Chico Murici, o cronista Lázaro Matos, o ambientalista João Cesário e políticos como o Chico Carnaúba e José de Deus, percebo que a caminhada havia começado. Dentro  em pouco, mais  abamistas e conselheiros do CONAMG, vindos de Duque e Coelho Neto, como o Secretário-Executivo Gilson Moraes, que trouxera sua esposa Tereza, o Maestro Adelino e a cantora Raquel Santos, completando esses o quadro de personalidades do encontro. E mais dessas personalidades chegavam, os professores e compositores Antonio Araújo, Bené Gomes e Josué Araújo, esse representando a UEMA local. Enquanto todos chegavam, no microfone se declamavam versos de Lili Lago, Zé Borges, Vilmar Machado e Felipe Neres, ambos bons poetas regionais. Dois deles ausentes por compromissos pessoais e dois ausentes pelo abraço da morte.
                            Nisto é facultada a palavra para o cronista e também secretário de Cultura Lázaro Matos, que defendendo a importância do evento pede depois da sua fala para a ambientalista Noeme Rocha ler um texto em versos de sua autoria feito para a ocasião. Por sua vez, o poeta Chico Murici declama seus próprios versos, dizendo:

                                                       Quis encontrar companheiros
                                                          para não cantar sozinho.
                                                       Não encontrei nem pobre, nem rico,
                                                       nem homem culto, nem o filho do visinho.
                                                       Como não encontrei ninguém
                                                       Cantei com os passarinhos.

                                 Realmente, durante muitos anos esse poeta garapense cantou e viveu sua poesia solitário, num anonimato desestimulante. Porém, essa página branca cultural e existencial de sua vida é agora deixada pra trás, pois pretendemos escrever outras páginas com vivências poéticas e intelectuais, para o mesmo não cantar mais sozinho. Assim, como prova e demonstração deste acreditar meu, logo após o Murici declamar seus versos, chegou ao recinto uma equipe de acadêmicos de Letras, que futuramente poderão estudar os versos deste Patativa garapense, registrando que sim, valeu apena ele cantar solitário com passarinhos e com os homens também.
                                  No salão do Clube Pingo D’água um circulo grande de cadeiras plásticas fora organizado para os convidados sentirem o círculo grande de amizades regional que se passava conviver desde então com a realidade da APA dos Morros Garapenses. Tendo à direita deste circulo uma mesa com mostra de autores dos municípios de Buriti, Duque, Coelho Neto que já publicaram livros, comprovando a realidade de intelectualidade da região. E um varal de barbante com poemas de Elian e Eliram Sousa, Lulu, Abraão Ribeiro, Senhorinha, Moacir Viana, Felipe Neres, Chico Murici, Zé e Aliandro Borges, Vilmar e Francisco Carlos Machado, todos dos Morros Garapenses. Vez por outro, brisas do Parnaíba, tão presente e perto, balançavam esses poemas estimulando seus autores a publicá-los. ASSIM, enquanto não chegava à típica feijoada, uma nova rodada de poemas com a temática “Mãe” escritos por Lurdes Bacelar Viana, Felipe Neres, Vilmar e José Machado são declamados. O Seu Carnaúba ouvindo o poema “Dona Bernada”, em homenagem a sua mãe, se emociona e chora. A poesia estava cumprindo o seu papel de emocionar.
                                Chega então à esperada feijoada trazida pela ambientalista Noeme Rocha, que fora feita pela professora Rita Gomes. Organiza-se uma mesa em frente para colocar os tachos e pratos, e com fome os presentes se dirigem a mesa, servindo-se. Enquanto todos se deliciam (estava muito gostosa a feijoada), se ouvia como música ambiente versos de Drummond na voz do ator Paulo Autran. E o momento ficou bem melhor com barriga cheia; mais ainda com a chegada atrasadíssima dos poetas de Buriti, Lulu e Aliandro Borges, junto com os amigos Alex Borges, Eduardo, Gilson Lima e Reginaldo Furtado, que passam também a degustar a feijoada.
                                E dando continuidade ao nosso encontro, com todos bem saciados, educadamente sentam-se para ouvir a cantora Raquel Santos apresentando duas belas canções “ Ilha do Bambu ”  e “ O Bordado “, letra premiada no festival SESI, composta por seu esposo Maestro Adelino, que também acompanhava  no violão a cantora. Depois fora feito um sorteio de mais de vinte livros de autores maranhenses, onde a expectativa e alegria geral tomaram a todos,   esperançosos de ganharem um dos exemplares. O grande círculo de cadeiras plásticas fechou-se um pouco após o sorteio e os presentes ouviram meu pequeno discurso da realidade da APA DOS MORROS GARAPENSES e dos benefícios que a mesma poderá trazer para o desenvolvimento sócio-sustentável das nossas comunidades se houver um real engajamento e unidade dos seus cidadãos. Assim, em discussão os presentes aprovaram a organização de um maior Encontro Literário para o dia 11 de Junho do corrente ano em Coelho Neto, envolvendo todas as comunidades dos quatros municípios da APA. Desfeito o círculo, os poetas, músicos, escritores e ambientalistas presentes se despediram mutuamente, voltando para suas casas e cidades contentes e satisfeitos pelo encontro.
                                  Como falei no início, “o movimento literário na APA DOS MORROS GARAPENSES tornou-se uma realidade”, e através dele muitas coisas de bom se fará em favor da vida, talentos e dons dos artistas de Buriti, Coelho Neto, Afonso Cunha e Duque Bacelar. Unamos-nos e desejamos com afinco essa nova realidade.

                                    Soli Deo Gloria


                                                                                 Francisco Carlos Machado  

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Em favor do Movimento Literário na APA dos Morros Garapenses

         Como todos sabem estou comovido e também motivado na pesquisa em andamento sobre os poetas e intelectuais da APA DOS MORROS GARAPENSES, o que me fez tomar a decisão de trabalhar em prol dessa classe, pois tal pesquisa me estimula e obriga-me a agir. Assim, busco ações para desenvolver em favor das pessoas vocacionadas para vida intelectual e literária da região, pois nada até agora fora feita em favor dessa classe social de forma sistemática e permanente, no estimulo de seus talentos literários e intelectos.
               Em conversas com os envolvidos já discutimos a necessidade de diálogos, trabalhos e encontros mais freqüentes, única maneira de surgi uma unidade e um movimento entre os intelectuais, escritores e poetas locais para fortalecimento das intenções e sonhos de publicações nos municípios de Buriti, Coelho Neto, Duque Bacelar e Afonso Cunha se sucederem.  Entre os poetas e escritores, os artistas de forma geral, é preciso haver aproximação. Sabemos que a realidade local é desestimuladora a intelectualidade e ao desenvolvimento dos dons e talentos das pessoas com essas afinidades, pois a pobre economia da região, o preconceito e ignorância de muitos, junto com a falta de visão e compromissos dos prefeitos municipais em não fazer políticas publicas para uma cultura acadêmica sólida e vivaz, dificultam e estagnam muitas coisas. Porém, é preciso superar essa realidade.
              Temos que mudar isso, pois a intelectualidade e o pensar, o desenvolvimento de talentos não pode ser desencorajado de ninguém. Devemos e podemos fazer uma mudança cultural dentro do mundo social dos poetas e escritores da região da APA DOS MORROS GARAPENSES, em atos recíprocos e estimuladores, em cooperação de todos por todos, dentro das peculiaridades e possibilidades de cada um.  Devemos agir pela arte e para a arte, pelo povo e para sua dignidade, para a luta em prol das vidas dos animais e vegetais, dos ecossistemas ambientais, e principalmente, para o bem vencer nesta parte do mundo. Nós sairemos do anonimato artístico e da não existência do desenvolver de nossas artes acreditando nisso. A minha articulação entre vocês se dará na defesa dessas questões.            
               O não acontecer dessa mudança entre os intelectuais e os artesões das letras da região continuará proporcionando que a cultura e a educação regional perda, pois os intelectuais e os artistas da palavra desenvolvidos e produzindo, enriquecem nossa educação e a cultura, visto que eles são os responsáveis dentro da sociedade de pensar e registrar a história em todas as suas dimensões antropológicas, religiosas e culturais, assim como de criar e levar poesia, contos, crônicas, os textos em geral para o povo, fazendo e deixando uma cultura literária para a sociedade. As lendas e folclores, o ambiente natural, os casos, as biografias e autobiografias, as trajetórias das pessoas, povoados, famílias, os acontecimentos e eventos marcantes destes quatros municípios com sua marca civilizatória não devem se perde no tempo, sem que acha um registro escrito,  única maneira do passado e da existência deles continuarem vivos. Devemos formar um movimento, pensar e executar estratégias de como, dentro do tempo preciso e hábil, se sucederá isso, pois nosso passado e nossas histórias com todos os seus episódios e ações devem  ficar preservados em textos escritos por nós. Desejo assim que contribuamos com a educação e a cultura do nosso povo e peço que trabalhemos em conjunto para que seja na região uma educação e uma cultura que os estimulem a serem criativos, felizes, fortes e ricos materialmente, como também, e principalmente, espirituais, nas práxis da generosidade e do amor para consigo mesmos e para que a vida existente nos quatros municípios seja respeitada.
                 No passado, na região, não precisamente nos quatro municípios da APA dos Morros Garapenses, mas bem perto de nós, em Caxias, Chapadinha e Brejo, intelectuais, escritores e poetas como Gonçalves Dias, Coelho Neto, Vespasiano Ramos, Teixeira Mendes, César Augusto Marques, Afonso Cunha, Mata Roma, Bernado Almeida, dentro outros, propuseram desenvolver seus dons e talentos, e sabemos o que isso causou no Maranhão, no Brasil e no mundo para a educação e a cultura. E como somos orgulhosos em saber que eles eram da região. E sendo preciso e justo, Milson Coutinho, Vera Cruz Santana, Lili Lago, Linhares Araújo e alguns outros, saindo da cidade de Coelho Neto, Buriti e Duque Bacelar, contribuíram e continuar a enriquecer no presente as letras da região da APA dos Morros Garapenses e do Maranhão de forma positiva. Neles, vejam, já temos nomes para nos espelhar e nos motivar para a criação do movimento literário nos quatro municípios.
                  A região do baixo Parnaíba é a que mais contribui com o Maranhão para existência da literatura vinda de regiões, e com nosso movimento tomando corpo e sistematicamente sendo organizado com dinamismo, continuará essa contribuição com uma característica e história nova, com um norte peculiar. Temos talentos nos quatros municípios para tanto. Minha pesquisa e estudos da intelectualidade e dos poetas para formar a antologia da APA demonstram e provam esse texto. Entretanto, isso realmente só se tornará possível com o desejar e compromisso engajado de todos os envolvidos, no querer sincero e trabalhoso de desenvolver seus talentos literários. E isso sucederá sim, senhor.

                                                                                                              Francisco Carlos Machado